Repetir
Repetir
Repetir
Os mesmo movimentos.
Repetir
Repetir
Repetir
Dobrar, Cortar
Dobrar, Cortar
Virar
Dobrar, Cortar
Delicadeza, cuidado, atenção.
Dobrar, Cortar
Precisão. Melhorando.
Mas ainda assim repetindo
Aprimorar. A dobra perfeita.
Do plano surge o sólido.
Sempre repetindo.
NÃO
Navego sem mapa. Há muito deixe-os para trás.
Quero por vezes águas calmas.
Mesmo perdida sei que preciso também descansar.
Mas o que seria um porto seguro não existe.
Se afasta. Se desfaz.
Não há, é verdade, tumulto nas águas.
Mas também, não é aqui que desejo ficar.
Descansar preciso.
Mas ainda não é hora.
Prefiro o não saber. O tumulto do oceano. Pois mares são pequenos. Vivi uma falsa calmaria. Que agora que vejo, não desejo mais.
Recolher ancoras. Hastear velas. Preparar para mais uma vez se laçar.
Grito sozinha em minha pequena nau.
Não tenho mais medo que não resita. De um labirinto confinado para a imensidão do mar.
Este que não cansa em me chamar.
Mar ia
Mar vou
Mas fui
Mar sou
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Com passos curtos, mas decididos, adentrei na morada do fauno. Senti o cheiro do mato. Ouvi o barulho da água. Longe ficaram os carros e o concreto. Mesmo munida de um mapa, me dissolvo no labirinto. Em meio às arvores sinto o som que me embala. Sem medo, me perco. Navego pelos caminhos que se abrem, mas a direção e o mapa não servem mais para me orientar. Sei que nesse momento é necessário me perder para perder o que estava velho, que me pesa. O Fio de Ariadne que serviria de saída, constrói-se naquilo que tanto carreguei, mas que agora já não me é útil. Dentro do jardim sigo apenas. Por vezes, os pedaços que vou deixando cair fazem sons silenciosos. Como se não chegassem a tocar o chão, mas apenas pairassem. Certo momento porém, um estrondo, o pedaço perdido cai ferindo o solo. Me assusto e pela primeira vez olho para trás e percebo os vários pedaços deixados pelo caminho. Paro um instante. Vejo então o fio de Ariadne que se formou. Mas este não é reto e claro. Se embola, revela minha errância, a falta de direção dos meus passos dentro do labirinto. Ora avança, ora retorna e por fim, mistura-se. Sei que não há como resgatar o fio, e fazer dele minha volta. O fio já não está mais inteiro. Pouco a pouco percebo que junto com os pedaços que pedi cortei a linha que me liga a eles. Mas não tema leitor. Estar perdida é o meu jeito de me encontrar. Não me abandono. E permaneço inteira naquilo que me é necessário.
Continuo meu passeio pelo labirinto. Sei que cedo ou tarde me encontrarei com o monstro que guarda o lugar. Mas bem... Não há como teme-lo. Afinal sou tanto ele quando ele é a mim.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Aquecida pelo sol. Absorvendo dele toda foça que acumulava para o futuro. Mas desde já previa o momento. Inspirava o cheiro do mar. Como se pudesse guardá-lo em seus pulmões.
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Com a luz veio o silêncio.
É mais fácil falar dos temores do que das alegrias. Sorrir com os olhos. Olhos que sempre irão carregar o olhar perdido. Distante. O brilho do sol me aquece. Mas o vento rouba do meu corpo o calor. Nem todos os dias são de sol. As nuvens cinzas fazem parte do pantone de cores da vida. É importante lembrar que o brilho demais ofusca. Mesmo sendo capaz de exibi brilho nos olhos, estes mesmo olhos já foram escuridão e silêncio. A menina dos guarda-chuvas vive todas as formas. Enfim lançou-se na chuva, gelou os ossos. E agora se aquece ao sol.
________
Hoje não entrarei no mar. A placa vermelha avisa: Perigo. Correnteza. Mas, ainda assim, sinto o mar em mim.
Como se o mar entendendo que por hora devo respeitar o aviso, delicadamente lançasse gotículas sobre meu corpo. Abençoando a visita. Como se me chovesse o mar.
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Com a luz veio o silêncio.
É mais fácil falar dos temores do que das alegrias. Sorrir com os olhos. Olhos que sempre irão carregar o olhar perdido. Distante. O brilho do sol me aquece. Mas o vento rouba do meu corpo o calor. Nem todos os dias são de sol. As nuvens cinzas fazem parte do pantone de cores da vida. É importante lembrar que o brilho demais ofusca. Mesmo sendo capaz de exibi brilho nos olhos, estes mesmo olhos já foram escuridão e silêncio. A menina dos guarda-chuvas vive todas as formas. Enfim lançou-se na chuva, gelou os ossos. E agora se aquece ao sol.
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Hoje não entrarei no mar. A placa vermelha avisa: Perigo. Correnteza. Mas, ainda assim, sinto o mar em mim.
Como se o mar entendendo que por hora devo respeitar o aviso, delicadamente lançasse gotículas sobre meu corpo. Abençoando a visita. Como se me chovesse o mar.
terça-feira, 5 de julho de 2011
A mensagem estava lá fora. Mas o som era indistinto. Da janela, coberta com uma cortina branca vem o som de uma chuva que não existe. Mas parece torrencial. O som da água. Correndo. Para onde? A água sempre corre para o mar. Seu eterno retorno. Sua morada. Onde sua força repousa. Mas agora, olhando pela janela não se vê a água. E o som é indistinto. Apenas mexe com a imaginação daqueles que se perderam. Demorei para compreender. Mas...
domingo, 3 de julho de 2011
"Besouros não trepam no abstrato."
"O vazio é muito maior que o cheio" (MB)
Acordou. Fechou a mala. Falou pouco. Estava concentrada. Foi sozinha para o aeroporto. Caminhou pelo saguão, com música nos ouvidos. Mas ela precisava era de silêncio. Estava concentrada na tarefa da travessia. Apostara que não sofreria. Aquilo tinha acabado. Não mais a machucaria. Sentia uma leve angustia. Mas estava calculada Equilibrava-se concentrando em se perder. Caminhou para o embarque. Encontrou seu assento. Uma revista a distraia. Puro calculo. Enquanto o avião taxiava na pista ela lia todas as letras. Mas uma a uma. Não lia o texto. Se concentrava no traço. Achava que assim trapacearia com o medo. Fingia não pensar.
Então sentiu que perdia o chão. Parou. Não podia trapacear. Não iria se enganar mais. Sorriu. Deixou o seu corpo sentir. Não mais se concentrou. Olhou pela janela e o chão, distante, encontrava-se torto, inclinado. Não podia fingir que não sentia. Mas também soube que não era mais medo. Estava desamarrada. Estava livre. Perdera a gravidade. Ficou leve e, o ultimo peso escorreu em uma lágrima. Estava sem chão. Mas agora ouvia claramente a mensagem. Sem medo. Voou. Via o céu. O horizonte vazio de palavras para explicá-lo. Seu chão virou nuvens de algodão. E a suavidade do entardecer coloriu o seu céu. Foi para o alto. Muito alto. Mas não havia mais dor. Mesmo o vazio não doía mais. O olhar perdido. Ah olhar perdido se perdeu na imensidão das nuvens. Se voltou para fora, e não mais para dentro. E agora era silêncio. Um silêncio que coloria o vazio com a paleta do entardecer.
"O vazio é muito maior que o cheio" (MB)
Acordou. Fechou a mala. Falou pouco. Estava concentrada. Foi sozinha para o aeroporto. Caminhou pelo saguão, com música nos ouvidos. Mas ela precisava era de silêncio. Estava concentrada na tarefa da travessia. Apostara que não sofreria. Aquilo tinha acabado. Não mais a machucaria. Sentia uma leve angustia. Mas estava calculada Equilibrava-se concentrando em se perder. Caminhou para o embarque. Encontrou seu assento. Uma revista a distraia. Puro calculo. Enquanto o avião taxiava na pista ela lia todas as letras. Mas uma a uma. Não lia o texto. Se concentrava no traço. Achava que assim trapacearia com o medo. Fingia não pensar.
Então sentiu que perdia o chão. Parou. Não podia trapacear. Não iria se enganar mais. Sorriu. Deixou o seu corpo sentir. Não mais se concentrou. Olhou pela janela e o chão, distante, encontrava-se torto, inclinado. Não podia fingir que não sentia. Mas também soube que não era mais medo. Estava desamarrada. Estava livre. Perdera a gravidade. Ficou leve e, o ultimo peso escorreu em uma lágrima. Estava sem chão. Mas agora ouvia claramente a mensagem. Sem medo. Voou. Via o céu. O horizonte vazio de palavras para explicá-lo. Seu chão virou nuvens de algodão. E a suavidade do entardecer coloriu o seu céu. Foi para o alto. Muito alto. Mas não havia mais dor. Mesmo o vazio não doía mais. O olhar perdido. Ah olhar perdido se perdeu na imensidão das nuvens. Se voltou para fora, e não mais para dentro. E agora era silêncio. Um silêncio que coloria o vazio com a paleta do entardecer.
domingo, 26 de junho de 2011
Uma taça de vinho e uma caixa cheia de lembranças. Diante dela a difícil tarefa de se confrontar com aquilo. O passado. Em sua defesa a necessidade da mudança. Uma física que se aproxima. Ou mais sutil. Quase imperceptível que tem acontecido. Viu se estraçalhar e temeu se quebrar. Nada disso aconteceu. Descobriu-se forte. O que temia que podia ser o encontro com o chão se revelou apenas uma suave turbulência. Continuava inteira. A fragilidade não estava mais ali. Essa nova pessoa que aos poucos se descobria era muito mais forte e honesta consigo. Sabia o que queria e não se desviaria disso. Seu rumo, não plano, estava sendo traçado por ela. Somente por ela e ninguém mais. Abriu a caixa. O cheiro gostoso dos incensos guardados inundou o quarto. Não era suave, mas era doce e levemente embalava o caminho para mergulhar no mar de lembranças. A primeira coisa que viu foi uma foto. Era uma foto de alguém que ela não queria mais se lembrar. Sem pena a rasgou. E viu o temor. Tudo ali seria assim? Será que em sua nova força apagaria todo o passado? Continuou. Não podia parar. Cartas de amigos que não estavam mais com ela, por caminhos diferentes. Mas ficava a nostalgia da inocência do momento. Guardaria. Não era mais verdadeiros os sentimentos ali. Mas um dia foram. Um poema de um amor antigo, fez suas mãos tremerem. Podia se deparar com o momento de impulso tal como anterior, e o destruir. Abriu o papel amassado e envelhecido. Leu. Sua mente estava em paz. Aquilo fora realmente verdadeiro. Não podia abrir mão do que fora. Aquilo realmente fazia parte dela. Era o que se tornara, também por causa do que vivera. E disso não mais se arrependia. Sorriu. Certas coisas são melhor esquecidas. Perdidas, ou até jogadas fora. Outras, por mais que não tivessem sido completamente felizes, foram momentos que guardaria. Mas agora sem nenhuma dor.
sábado, 18 de junho de 2011
Os passos ecoavam distantes. As pessoas daquela casa se moviam, mas distantes daquele quarto. Estava escuro e já não sabia que horas eram. Quanto tempo eu dormi, pensei? O olhar perdido voltou. Na verdade já há alguns dias ele tem me rondado. A espreita. Tenho medo dele. Essa minha fragilidade é muito complicada. É medo. Medo de retornar. Medo de não conseguir superar depois de cair. Sei que já encontrei o caminho para levantar uma vez, mas mesmo assim. Enquanto corria, me desequilibrei. Mas não cai. Apenas não tive firmeza nos pés. E veio o medo. Não sei muito bem de novo. O caminho que estou trilhando parece ser uma estupidez, uma burrice. Mas não consigo me desatar dele. Hoje estou aqui. Incomodada. Com o olhar perdido e um não saber. O que estou fazendo. Não tenho resposta. O que eu quero. Difícil de sustentar. Isso. Talvez um pouco mais. O que quero mais é simples parece. Quero não ter medo. Mas o medo vai sempre existir. Ele sempre vai estar por perto. Tal como o olhar perdido. Não adianta que isso eu não consigo perder. Logo eu que já me fiz perder tanto. Acho que nessa luta até já perdi. Provavelmente estou em queda. Mas mesmo assim. Mesmo tendo perdido. Não consigo desistir. Insisto, quero viver essa loucura sem saber muito bem onde isso vai dar. Se é que vai dar em algum lugar. Tem que dar em algum lugar?
Será que viver não é simplesmente isso. Correr. Sem uma direção. Ora para um lado ora pra outro?
Sem uma definição. Já defini muita coisa, mas continuo perdida. Estrangeira. Mas sem esforço. Aliás é isso que acontece. É sem esforço. Sou apenas eu mesma. Do jeito que quero ser. Isso torna difícil de desistir. Um jeito de me manter. Até por que não sei bem o que é sou agora. É tudo muito novo. Muitas vezes insensato. Sei que atualmente me abandono em queda. Tenho respirado em queda livre. Quase planando para olhares mais desatentos. Não quero pensar no choque com o chão. Que uma hora ou outra virá. Não há almofadas nem colchões me aguardando. Eu sei. E ainda assim. Me lanço na queda. Sentir o vento. Ouvir a mensagem.
Será que viver não é simplesmente isso. Correr. Sem uma direção. Ora para um lado ora pra outro?
Sem uma definição. Já defini muita coisa, mas continuo perdida. Estrangeira. Mas sem esforço. Aliás é isso que acontece. É sem esforço. Sou apenas eu mesma. Do jeito que quero ser. Isso torna difícil de desistir. Um jeito de me manter. Até por que não sei bem o que é sou agora. É tudo muito novo. Muitas vezes insensato. Sei que atualmente me abandono em queda. Tenho respirado em queda livre. Quase planando para olhares mais desatentos. Não quero pensar no choque com o chão. Que uma hora ou outra virá. Não há almofadas nem colchões me aguardando. Eu sei. E ainda assim. Me lanço na queda. Sentir o vento. Ouvir a mensagem.
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