Então me vem mais uma vez o silêncio. Uma certa angustia comedida diante do papel em branco. Me pergunto o que não desejo dizer? Escrevo e depois apago. Uma luta com o texto que quer sair e ainda assim, teima em calar. Reescrevo frases. Apago. Nego e, ainda sim, sei que está presente. Recordo que em outros tempos também senti a mesma necessidade de acalmar as outras vozes para poder ouvir. E como em outros momentos, o insucesso. Durante a noite a balburdia se agita dentro, durante o dia o cansaço impera. Inquieta. Talvez seja mesmo o desejo de ficar inerte um tempo. A reflexão não se dá durante a corrida. Mas insisto em correr por temer parar demais. Talvez os índios tenham razão, e a foto tenha mesmo aprisionado minha alma. Mas que também, não quero dela me libertar. Recordo que tenho dificuldade em aceitar o que já aconteceu. E nessa tentativa não busco me adaptar ao novo, e sim, apenas tento recuperar o velho. E me desgasto em busca do tempo perdido, sem perceber que o que preciso é viver o tempo presente.
Então penso, talvez agora seja tempo, não de morangos, mas de silêncio.....
quarta-feira, 13 de junho de 2012
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Tento me ferir. Me morder.
Mas alguém me impede
“A batalha já está ganha”
Desejo então fugir
“O Estado está chegando”
Viaturas e ambulâncias
Mas ele me diz para ficar
“O Estado deve permanecer neutro”
“Ele veio apenas recolher os feridos”
E eu não estou no meio deles
Tentam organizar a passagem
“Não interditem as duas vias”
Deixar uma passagem....
Talvez seja a resposta a pergunta
Não havia mortos, apenas feridos
“É bom ouvir de vez em quando”
Mas alguém me impede
“A batalha já está ganha”
Desejo então fugir
“O Estado está chegando”
Viaturas e ambulâncias
Mas ele me diz para ficar
“O Estado deve permanecer neutro”
“Ele veio apenas recolher os feridos”
E eu não estou no meio deles
Tentam organizar a passagem
“Não interditem as duas vias”
Deixar uma passagem....
Talvez seja a resposta a pergunta
Não havia mortos, apenas feridos
“É bom ouvir de vez em quando”
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Vivo num mundo estranho
Contra todas as estatísticas o improvável acontece
Árvores caem em dia de sol
Bolas lançadas a esmo para cima acertam olhos
Blindex se estilhaçam
Encontro um jeito estranho
Quase sem querer
O real que não é comum
Um torto
Reconsidero e penso no abreviado
Como a parte que contém o todo
Um ponto de fragilidade
Endurecer e tornar sólido
Aquilo que é criado pelo homem líquido
Diferentemente
Escolho nova direção
A malemolência que se amolda
Diante da pressão cede
E cria contornos
A forma não retornará
Marcas serão deixadas
Mas ainda assim,
Preservo-me
Evito a destruição em fragmentos
Melhor amoldar que precisar juntar os cacos.
sábado, 5 de maio de 2012
Da mais velha, da mais perdida e da, definitivamente, a mais esquivocada.
Esquivar-se da realidade e do possível. No mundo dos sonhos as coisas são possíveis, mas ao nos depararmos com a realidade as palavras não soam como deveriam ser. Um passado sombrio cheio de dor e sonhos despedaçados. Não há nada que não possamos fazer. Promessas não efetivas. A expectativa frustrante. Mas ainda assim se permitir um sonho. Evitar coisas calculadas. Um mal menor em nome de uma falsa sensação de não sofrer. Não é possível. E vem o olhar perdido me lembrar como tenho evitado qualquer sentimento em nome de evitar assim o sofrimento. Como se fosse possível evitar sentir. Evitar sofrer. Fingir não sentir. O risco. O a riscado. E enfim o medo de assumir a verdade do que sentimos. Do que queremos. Estamos a beira de um abismo. Mas não podemos recuar. O voo e a queda misturam-se de uma forma assustadora. Mas a voz diz: Pode pular. Em um momento de insensatez me jogo. Será um voo imaginário? Será uma queda mortal? A verdade é que independente da resposta não há como evitar viver. A beira do abismo. Planando ou se chocando nas pedras. Qualquer seja a resposta tudo depende das escolhas e como se lida com elas. Assumindo-as ou se arrependendo a vida não espera as decisões sensatas. A espera pode revelar-se pior que a decisão. Tenho acreditar que escolho por aquilo que é possível suportar. Ou não. Afinal as respostas sim precisam de tempo para serem avaliadas. Diferente da vida, que permite apenas que possamos vivê-la.
Esquivar-se da realidade e do possível. No mundo dos sonhos as coisas são possíveis, mas ao nos depararmos com a realidade as palavras não soam como deveriam ser. Um passado sombrio cheio de dor e sonhos despedaçados. Não há nada que não possamos fazer. Promessas não efetivas. A expectativa frustrante. Mas ainda assim se permitir um sonho. Evitar coisas calculadas. Um mal menor em nome de uma falsa sensação de não sofrer. Não é possível. E vem o olhar perdido me lembrar como tenho evitado qualquer sentimento em nome de evitar assim o sofrimento. Como se fosse possível evitar sentir. Evitar sofrer. Fingir não sentir. O risco. O a riscado. E enfim o medo de assumir a verdade do que sentimos. Do que queremos. Estamos a beira de um abismo. Mas não podemos recuar. O voo e a queda misturam-se de uma forma assustadora. Mas a voz diz: Pode pular. Em um momento de insensatez me jogo. Será um voo imaginário? Será uma queda mortal? A verdade é que independente da resposta não há como evitar viver. A beira do abismo. Planando ou se chocando nas pedras. Qualquer seja a resposta tudo depende das escolhas e como se lida com elas. Assumindo-as ou se arrependendo a vida não espera as decisões sensatas. A espera pode revelar-se pior que a decisão. Tenho acreditar que escolho por aquilo que é possível suportar. Ou não. Afinal as respostas sim precisam de tempo para serem avaliadas. Diferente da vida, que permite apenas que possamos vivê-la.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Uma ode às borboletas
Um dia a mulher-jardim conheceu um bando de borboletas malvadas que de más não tinham nada. Quisera ela ter conhecido essas borboleta quando ainda era uma menina árvore. Sabia que seus voos de antigamente teriam sido mais coloridos.
A mulher jardim por vezes se cansa de bater asas, principalmente quando começa a achar que os jardins que ela conhece não tem espaço, lhe são estranhos, com plantas que ela não consegue compreender.
Mas sua caminhada tem mudado. Não o ritmo, não a direção. Ser perdida lhe é um pouco inerente. Junto ao seu olhar.
Mas hoje ela pode se encantar com as borboletas. Cada uma diferente, uma sem chapéu, loira mas que de loira não tem nada , uma com silêncio nas asas, uma com uma meiguice e leveza e uma difícil de definir de tão igual e mesmo assim, diferente.
Essas borboletas voam junto à mulher jardim. Unidas, sustentam as asas umas das outras quando rajadas de vento tentam derrubá-las. E com isso, elas mesmas vão construindo um novo jardim, não alheio aos outros jardins, mas um lugar seguro, composto de avencas, amores não perfeitos, cravos, miosótis e violetas.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Os escritos fora de si. Confissões?
Os escritos. O texto que teima em si deixar jorrar.
Sem ordem, sem controle.
Jorro sentimentos e letras.
Deixo aos poucos os medos saírem.
Junto percebo outros tons.
Além do cinza, alguns acordes.
O silêncio já não comporta o papel.
O verde, o rosa, o vermelho.
Cores complementares.
Mas também misturas.
Por hora há ainda
Muitos acordes dissonantes também.
Instável, e ainda, um pouco inseguro.
Quando procuro algo, prometo a São Longuinho.
Às vezes não nos damos conta que o que procuramos já foi achado.
E vem alguém e me diz:
Pode pular.
Talvez apenas precise cumprir a promessa.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Mais uma vez mulher árvore, ou seria menina árvore.
Não acho que aja de maneira infantil.
Entronquei meu corpo.
Tornei imóvel exatamente o que preciso para olhar para os lados.
Pergunto-me o que não desejo ver?
Ou o que evito.
A decisão já foi tomada.
O medo não é tão terrível quanto eu pensei.
Mas ainda assim hesito.
Diante do êxito hesito.
Nem sempre saber o que é bom é o suficiente.
Protelo a decisão para uma hora certa que não parece nunca acontecer.
Preciso relaxar. Retornar ao que era, mas agora diferente.
O caminho continua.
Vou criando rascunhos e rasculhos.
Rascunhos mal feitos.
Rasculhos perfeitos
Um esboço pra um recomeço.
Mais uma vez a fênix e a frase
Escrever é sempre deixar de dizer,
Mas tudo começou com um sim.
E é sempre importante lembrar que é tempo de morangos
...
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